quinta-feira, 4 de junho de 2015

ECO 92: A nova Era que não aconteceu

       
         Em 4 de junho de 1992, líderes de 180 nações iniciam a ECO 92, no Rio de Janeiro. Esta conferência teve grande importância histórica ao chamar a atenção da opinião pública mundial, pela primeira vez, para as ligações entre os problemas ambientais do planeta, as condições econômicas e a justiça social.
 
Charge criticando a pouca efetividade do evento.
 
 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Raúl Castro: 84

Raúl Castro e o presidente norte-americano Barack Obama: cena histórica.
         O Presidente e revolucionário cubano Raúl Castro completa hoje 84 anos. O irmão caçula do revolucionário comunista cubano Fidel Castro também nasceu no povoado de Birán; que contava apenas com cerca de 4 mil habitantes na década de 1930. Filhos de um camponês imigrante da Galícia, os irmãos Castro se tornaram, ao lado de Ernesto Che Guevara, ícones do movimento socialista nas Américas. Raúl era militar, estudou Ciências Sociais e era socialista convicto. Conheceu Guevara durante o tempo que esteve exilado no México nos anos 1950. Raulzito passou a maior parte de sua carreira politica como Ministro das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba e como membro da alta cúpula do Conselho Geral da Nação caribenha mais populosa.
          Recentemente reatou relações diplomáticas com os Estados Unidos depois de 53 anos de imbróglio.

La Revolución

Raúl Castro com Che Guevara: foto de 1958.
          Apoiada por grupos populares e camponeses pobres, a Revolução Cubana conseguiu destronar a ditatura de Fulgencio Batista sob a liderança de Fidel Castro. Raúl foi o combatente do Exército Rebelde na campanha de Sierra Maestra e posteriormente nomeado comandante. Os detalhes da campanha guerrilheira estão no livro Diários de Guerra, de autoria de Che Guevara e do próprio Raúl.        

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Tomada de Constantinopla: O implacável Maomé II e a ascensão turca

O Sultão Maomé II entrando em Constantinopla. Pintura de Fausto Zonaro (1854-1929)

          Em uma terça-feira, 29 de Maio de 1453, o poderoso Império Bizantino caía diante da vigorosa ofensiva do sultão Maomé II, que comandando o Império Otomano, tomou Constantinopla depois de um cerco de quase dois meses. Foi o último suspiro do Império Romano do Oriente (Bizantino), que se manteve por 977 anos após o fim do Império Romano do ocidente. A queda de Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente, é um evento histórico por convenção, pois marcou o fim da Idade Média na Europa.
          A intenção do sultão Maomé II era estratégica. Aos 49 anos, ele passara a governar uma das porções de terras mais desejadas do mundo. Constantinopla, atual Istanbul na Turquia, era um entreposto que conectava a Europa á Ásia, por onde passava quase toda a logística envolvendo o comércio, seja por caravanas ou pelo mar. O Império Otomano se manteve dominante por quase meio milênio, quando em 1923 a Turquia se tornou uma República.
O ataque decisivo!
          Era madrugada quando Maomé II ordenou que os mercenários e prisioneiros do seu exército atacassem com força total as muralhas de Constantinopla. Após duas horas, contando com cerca de 80 mil soldados e 126 navios, conseguiram abrir um buraco nas muralhas com tiros de canhão e invadir a cidade. Maomé II entrou á tarde na cidade sendo agraciado pelos súditos turcos e ordenou que a Catedral se tornasse uma Mesquita.  O impacto no ocidente foi rápido. Nenhum cristão poderia atravessar as rotas de comércio para a Índia e a China, de onde provinham as valiosas especiarias.  

Se aprofundando no tema:

 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Os sonhos de Selassie e a unidade africana

 
          Sob a batuta do lendário Imperador etíope Haile Selassie, a Organização de Unidade Africana (OUA), instituição diplomática internacional, foi fundada a 25 de maio de 1963, em Addis Abeba, na Etiópia. Contou com trinta chefes de Estado e de Governo africanos.
          A Organização de Unidade Africana tinha como objetivos principais a defesa da independência dos países africanos colonizados, a luta contra toda e qualquer manifestação de colonialismo ou neocolonialismo, a promoção da paz e da solidariedade entre os países africanos e a defesa dos interesses políticos, económicos e sociais dos países-membros e da África em geral.
          Por último, a OUA foi substituída pela União Africana (11 de julho de 2000) - que visa acelerar a integração sócio econômica do continente africano e promover a solidariedade entre os estados-membros, tentando assim responder aos novos desafios e desenvolvimentos políticos, económicos e sociais que se colocam a África e ao Mundo.
 
"Enquanto a filosofia que declara uma raça superior e outra inferior não for finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada; enquanto não deixarem de existir cidadãos de primeira e segunda categoria de qualquer nação; enquanto a cor da pele de uma pessoa for mais importante que a cor dos olhos; enquanto não forem garantidos a todos por igual os direitos humanos básicos, sem olhar a raças, até esse dia, os sonhos de paz duradoura, cidadania mundial e governo de uma moral internacional irão continuar a ser uma ilusão fugaz, a ser perseguida mas nunca alcançada. E igualmente, enquanto os regimes infelizes e ignóbeis que suprimem os nossos irmãos, em condições subumanas, em Angola, Moçambique e na África do Sul não forem superados e destruídos, enquanto o fanatismo, os preconceitos, a malícia e os interesses desumanos não forem substituídos pela compreensão, tolerância e boa-vontade, enquanto todos os Africanos não se levantarem e falarem como seres livres, iguais aos olhos de todos os homens como são no Céu, até esse dia, o continente Africano não conhecerá a Paz. Nós, Africanos, iremos lutar, se necessário, e sabemos que iremos vencer, pois somos confiantes na vitória do bem sobre o mal"
 
Discurso de Haile Selassie na Liga das Nações em 1936.
 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O inicio do multiculturalismo global

Partida de Vasco da Gama em Lisboa. Pintura de Alfredo Gameiro.
     
       No final da tarde de 20 de maio de 1498, o navegador português Vasco da Gama chegava a Calicute, na Índia, na mais longa viagem oceânica até então – foram 11 meses de navegação. Estava estabelecida a Rota marítima da Europa para as Índias na busca pelas valiosas especiarias.
        No final do século XV, o comércio das especiarias com o Oriente era dominado pelos mercadores italianos de Genova e Veneza, que distribuíam pelo Velho Mundo os produtos trazidos por terra pelas caravanas árabes. Os valores eram altíssimos. Para piorar, os turcos otomanos haviam tomada a cidade de Constantinopla, um entreposto importante que ligava a Europa á Ásia.
        O plano ousado de Portugal era chegar ás Índias contornando pela África – trajeto conhecido desde a viagem de Bartolomeu Dias, que dobrou o extremo sul do continente africano em 1487, mas foi convencido a voltar por causa das fortes tormentas. A Coroa portuguesa sabia que conseguindo comprar especiarias diretamente na fonte, poderia revendê-las na Europa por valores mais altos e consequentemente desfigurar o monopólio dos italianos no mediterrâneo.

 “Ao diabo que te dou; quem te trouxe cá?”
Vasco da Gama negocia com o Samorim em Calicute. Gravura dos anos 1850
        Segundo o diário de bordo assinado por Álvaro Velho, ao desembarcarem na praia de Calicute na manhã de 21 de maio de 1498 a frota foi saudada por dois tunisianos que perguntaram-lhes em castelhano “Ao diabo que te dou; quem te trouxe cá?” ao passo que Vasco respondeu “Viemos buscar cristãos e especiarias”.

Legado inestimável
        Inicialmente, o navegador de Sines encontrou dificuldade para negociar, pois o comércio era dominado pelos árabes e havia muita diferença de cultura. Em seu retorno a Europa, dezenas de marujos morreram de escorbuto. Das quatro embarcações da frota apenas a caravela Bérrio e a nau São Gabriel chegaram a Lisboa.  
        O comércio de especiarias viria a ser um trunfo para a economia portuguesa. Vasco da Gama foi recompensado por concluir um plano que levara quase um século para se cumprir e ganhou do Rei D. Manuel o título de Almirante-Mor dos mares da Índia.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Dia Internacional dos Museus

Interior do museu do Louvre - França.
          Hoje é o dia internacional dos museus. Não existe uma definição precisa á respeito da origem dos museus. Sabemos com abrangência que o homem elabora coleções de objetos desde a Pré-História. Além disso, muitos conceitos essenciais que fundamentam os museus ainda estão em processo de definição. A palavra ‘museu’ vem do grego mouseion que significa templo das musas, ou seja, um local de inspiração divina, de onde provinham aquelas que estimulavam a produção artística e intelectual.
          A primeira instituição a receber esta denominação foi a fantástica Biblioteca de Alexandria, que surgiu na antiguidade e existiu até a baixa idade média em 640 da era cristã. Ainda em tempos medievais, instituições que se aproximavam do conceito contemporâneo de “museu” ainda podiam ser encontradas, mantidas pelo clero ou pela nobreza: eram os “gabinetes de raridades e tesouros”. Somente na modernidade o conceito de “museu” ganhou contornos de instituição cultural socialmente reconhecido como espaço de preservação cientifica aberta para educação e deleite da sociedade. O museu ashmoleano, na Inglaterra, fundado em 1683 foi o pioneiro.
Elias Ashmole e o Museu
          Foi um estudante inglês de astrologia e alquimia que colecionava curiosidades e artefatos. Fundou o museu ashmoleano, administrado pela Universidade de Oxford. Ávido colecionador  e incansável pesquisador, era tido por muitos como um sujeito inusitado e até excêntrico. Morreu cinco dias antes de completar 75 anos, em 18 de maio de 1692. Esse é o significado da escolha da data do dia internacional do museu. 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

127 anos da assinatura da Lei Áurea

          O processo de extinção da escravidão no Brasil se deu de forma gradual e teve o seu desfecho com a assinatura da Lei Áurea em 13 de Maio de 1888. A assinatura da princesa Isabel há exatos 127 anos, libertando os escravos, fez do Brasil a última nação independente nas Américas a abolir a escravatura. Foram mais de três séculos de escravidão africana (XVI á XIX).
         É óbvio que a situação era quase insustentável devido a pressão dos movimentos abolicionistas, das constantes rebeliões de escravos, formação de quilombos e da negligência da policia, que fazia cada vez menos a recaptura de escravos fugitivos. Esse conjunto de fatores tornava inviável a manutenção do sistema escravocrata – politica e economicamente.  
          O embrião do processo foi a Lei Eusébio de Queirós em 1850, seguida pela Lei do Ventre Livre em 1871 e da Lei dos Sexagenários em 1885. O fator “X” é que a assinatura da Lei Áurea, que deveria ser um marco do exercício da cidadania, acabou gerando inúmeros problemas de ordem econômica e social, pois durante as primeiras décadas da República não havia politicas sólidas para a inclusão do negro. A grosso modo, nos anos posteriores a Lei, os afrodescendentes trocaram a senzala pelas favelas. 
        Confira o vídeo sobre o processo abolicionista no Brasil: